Dias difíceis29 de julho de 20263 min de leitura

Secura espiritual é sinal de fé fraca? Quase nunca

Quem faz essa pergunta quase nunca é o de fé fraca — e os autores antigos já tinham dito isso.

Por Oleh · Criador do Sacred Hour

Ilustração de uma pessoa sentada sozinha com uma Bíblia aberta ao amanhecer, as mãos paradas e uma xícara de café fria ao lado, sob luz cinza-azulada
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Não, geralmente é o contrário. Secura espiritual — orar e não sentir nada — é uma estação normal que autores cristãos descrevem há séculos, não prova de que sua fé está acabando. O sinal é simples: quem tem fé fraca não perde o sono por se sentir longe de Deus. Essa dor é a fé ainda funcionando.

Você se senta para orar e é como falar com uma parede. Os versículos soam sem vida. Ainda assim você aparece, e aparecer parece uma encenação. Aí vem a pergunta: tem algo errado com a minha fé?

Provavelmente não. E a razão importa, porque a culpa faz mais estrago que a secura.

Fé fraca não faz essa pergunta

João da Cruz, escrevendo no século XVI, fez uma distinção que continua de pé. A secura que vem da tibieza é diferente, argumentou ele, porque os tíbios simplesmente não se importam muito com Deus — a distância não os inquieta. Já a alma numa secura genuína volta-se a Deus repetidamente "com cuidado penoso", convencida de que está retrocedendo.

Leia de novo. A preocupação é o diagnóstico. Se sua fé tivesse esfriado de verdade, o silêncio não incomodaria.

Inácio de Loyola chegou ao mesmo ponto por outro caminho. Nas suas regras de discernimento, nomeou a desolação — aquele estado plano e desconectado — e listou por que Deus a permite. Uma razão é nossa própria negligência. As outras não são castigo: provar se serviremos sem a recompensa dos bons sentimentos, e mostrar que a consolação sempre foi dom, nunca produção nossa.

A Escritura também não esconde isso:

Ó Deus, tu és o meu Deus; de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti, a minha carne te deseja, em terra seca e árida, onde não há água.

— Salmo 63:1

É um homem buscando Deus e encontrando deserto. As duas coisas ao mesmo tempo. Os Salmos estão cheios disso.

Um teste honesto

Existe uma versão disso que é afastamento. A diferença não está no que você sente, e sim no que você faz.

  • Secura: você continua orando, continua lendo, e isso custa. Nada volta.
  • Afastamento: você parou há semanas e quase nem percebeu.

Se for o segundo caso, o remédio é sem graça e imediato: recomece, pequeno, hoje. Se for o primeiro, não há o que consertar. Você já está fazendo a coisa.

O que fazer enquanto dura

  • Encurte o tempo, não pule. Dois minutos honestos valem mais que uma hora heroica que você vai temer e abandonar.
  • Pare de dar nota. Julgar cada oração pelo que sentiu transforma devoção em boletim de humor. O sentimento nunca foi o ponto.
  • Ore com palavras emprestadas. Salmo 42, Salmo 88, o Pai Nosso. Quando faltam as suas palavras, use as de outro.
  • Conte a uma pessoa real. A secura prospera no escondido, onde convence você de que é o único.
  • Verifique o óbvio. Exaustão, luto, esgotamento e depressão embotam o sentir espiritual. Se essa apatia estiver se espalhando para o resto da sua vida, fale com um médico ou pastor — não só com você mesmo.

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura a secura espiritual?

Não há prazo fixo — os relatos vão de semanas a anos. As cartas de Madre Teresa, publicadas em Vem, Sê Minha Luz (2007), revelaram décadas disso enquanto ela seguia trabalhando e orando. A duração não mede sua posição diante de Deus.

Devo continuar orando se não sinto nada?

Sim, e mais curto do que você imagina. Fidelidade numa estação seca é exatamente a prova que Inácio descreveu. Aparecer sem recompensa conta mais do que aparecer quando é fácil.

O que fazer agora

Escolha amanhã uma janela de dois minutos e cumpra — não para consertar a secura, mas para parar de perguntar a ela se você tem permissão de continuar. Essa nunca foi a pergunta certa.

Oleh & Zielonka
Escrito porOleh & Zielonka

Fundador do Sacred Hour. Desenvolvedor mobile em tempo integral há 10 anos, e cristão novo há um ano. Criei o Sacred Hour porque queria um companheiro simples para me ajudar a lidar com meu TDAH e sustentar a leitura diária da Bíblia e a oração.

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